segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Kerry tenta aliviar mal-estar com Brasil

RAUL JUSTE LORES


WASHINGTON
Se Dilma está tão preocupada com a espionagem dos americanos, aceitará ficar hospedada na Blair House, o palacete em frente à Casa Branca que costuma hospedar chefes de Estado convidados pelos EUA?
Os preparativos para a visita estão atrasados dos dois lados. O primeiro rascunho de comunicado conjunto que Dilma e Obama apresentarão já atrasou mais de um mês.
Desde maio, o governo americano está esperando saber que tipo de música a presidente Dilma gosta para montar o cardápio do jantar de gala na Casa Branca. Após os protestos de junho, 'quem tem coragem de incomodar a presidente com um assunto desses?', lamenta um diplomata brasileiro.
Os protestos de junho levantaram muitas dúvidas entre os funcionários do governo americano consultados pela Folha.
Praticamente todos perguntaram ao correspondente se Dilma pode não ser reeleita no pleito do ano que vem. Também questionam se o crescimento vertiginoso da economia brasileira "já virou história".
A última vez que um presidente do Brasil foi convidado a uma "visita de Estado" aos EUA foi Fernando Henrique Cardoso, em 1995. No mesmo período, chefes de Estado da China (1997 e 2011) e da Índia (2005 e 2009) foram recebidos duas vezes com a maior gala da Casa Branca.
Kerry, que foi derrotado por George W. Bush em 2004, conheceu sua mulher, a bilionária americana, filha de portugueses, Teresa Heinz, no Brasil, durante a Eco 92, no Rio de Janeiro.
AGENDA POSITIVA
A agenda positiva que diplomatas dos dois países esperavam poder anunciar durante a visita de Estado da presidente Dilma Rousseff aos EUA em outubro também parece emperrada.
Apesar da criação, no ano passado, de uma comissão para estudar o fim da exigência de visto aos turistas brasileiros no país, diplomatas acham impossível o assunto avançar depois das revelações sobre a espionagem americana.
O Chile, que foi incluído no programa de isenção de vistos, aceitou criar um sistema para reportar o extravio de passaportes e compartilhar bases de dados de segurança com os americanos, algo que dificilmente o Brasil concordaria em fazer.
Não há sinal de que os EUA decidam apoiar a demanda brasileira por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
No lado comercial, as divergências têm crescido.
Para muitos diplomatas brasileiros, os americanos estão aproveitando o enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) para promover dois blocos comerciais que isolariam o Brasil (e a China): a Aliança Transatlântica, com países europeus, e a Parceria Transpacífica. Funcionários dos Departamentos do Tesouro e do Comércio, que também pediram anonimato a ser ouvidos pela reportagem, dizem que o Brasil "precisa decidir o que quer com o comércio"
FOLHA ..SNB

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