quarta-feira, 17 de julho de 2013

Amorim diz que só soube de revista da Bolívia a seu avião quase 2 anos depois

ISABEL FLECK
DE SÃO PAULO

O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse nesta terça-feira que só soube agora, quase dois anos depois, da revista não autorizada de seu avião durante visita à Bolívia em 31 de outubro de 2011.
"Na época eu não soube [da revista]. Eu só fiquei sabendo agora --ontem, hoje. Na época, houve uma comunicação do nosso adido aeronáutico para a embaixada [em La Paz] e a embaixada fez uma nota de protesto. Nunca fiquei sabendo e nunca me deram nenhuma explicação [o governo boliviano]", disse Amorim à Folha antes de palestra na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo.
Segundo ele, a embaixada brasileira em La Paz fez o seu pedido de explicações na época "porque havia outros episódios ligados a imunidades". "A nota já era uma nota de protesto. Depois da nota, nunca mais ocorreu", afirmou.
Amorim disse que a revista não autorizada no avião da FAB (Força Aérea Brasileira) fere as "imunidades diplomáticas" do Brasil.
Questionado se o episódio pode azedar ainda mais as relações entre Brasil e Bolívia, ele respondeu apenas que "isso é o que alguns desejam".
As relações entre os dois países estão estremecidas desde que o Brasil decidiu conceder asilo ao senador de oposição boliviano Roger Pinto, há mais de um ano, e com a prisão de torcedores brasileiros presos em Oruro sob suspeita de participação na morte de um jovem durante um jogo de futebol na Bolívia.
Mais cedo, o Ministério da Defesa havia confirmado, em nota, que um avião da FAB que levou o ministro Celso Amorim a La Paz foi revistado por autoridades do país em 2011.
A inspeção não teria ocorrido em 2012, como foi noticiado nesta terça-feira pelo jornal "Valor Econômico", citando o site "Diário do Poder", do jornalista Cláudio Humberto.
Portanto, a revista foi feita antes de o Brasil conceder asilo, em maio de 2012, a Roger Pinto. O político boliviano está até hoje na embaixada brasileira em La Paz, aguardando um salvo-conduto por parte do governo de Evo Morales para deixar o país em segurança rumo ao Brasil.
Amorim viajou a Santa Cruz de La Sierra em 3 de outubro de 2012 para a doação de dois helicópteros da FAB ao governo da Bolívia. O Ministério da Defesa garante que, nesta viagem, não houve revista do avião da FAB.
No começo de julho, o avião de Evo Morales foi impedido de sobrevoar países europeus e teve de passar por uma revista na Suíça sob a suspeita -segundo o governo boliviano- de que estaria levando o ex-técnico da CIA Edward Snowden, procurado pelos EUA.
Logo após o episódio com o avião de Evo, a presidente Dilma Rousseff se manifestou, condenando de forma dura a ação dos países europeus.
"O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina", disse Dilma, na época.
FOLHA...SNB

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