quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

OrbiSat monitora usina via radar


Virgínia Silveira

A tecnologia de radar aerotransportado está sendo usada, pela primeira vez, no Brasil para fazer o monitoramento ambiental de uma hidrelétrica. A OrbiSat, empresa controlada pela Embraer Defesa e Segurança, foi contratada pela Santo Antônio Energia para vistoriar uma área de 2,8 mil quilômetros quadrados em torno da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, que está sendo construída no rio Madeira, a 7 quilômetros de Porto Velho (RO).
O contrato com a Santo Antônio prevê a produção de 144 mapas a um custo de R$ 1,2 milhão, disse o presidente da OrbiSat, Maurício Aveiro. A empresa disputou o contrato em uma concorrência internacional, da qual participaram fornecedores de tecnologias baseadas em satélites, aerofotogrametria, foto digital e laser.
A OrbiSat já realizou três voos. Cada qual gerou uma média de 12 mapas da região coberta pelo radar Saber M-60, desenvolvido com 100% de tecnologia nacional.
Instalado em um avião, o radar faz o mapeamento da área e capta informações sobre relevo, profundidade de rios e características da cobertura vegetal. Com esse monitoramento é possível comparar imagens e verificar se houve invasões, desmatamento ou construções clandestinas, além de gerar fotos e dados que poderão instrumentar eventuais ações na Justiça contra a empresa responsável pelo crime ambiental, disse Aveiro.
O radar opera sem limitação meteorológica, o que possibilita a captura de imagens mesmo se houver nuvens entre o avião e a região observada. Sob essas condições, segundo Aveiro, a base cartográfica gerada é mais fidedigna que outras criadas por meio de satélite e laser, por exemplo. Até a vegetação sobre a água, formada por algas e plantas aquáticas que podem se deslocar e entupir as turbinas da hidrelétrica, aparece nas imagens.
A tecnologia por radar foi utilizada recentemente pelo Exército para fazer o mapeamento de uma área de 1,2 milhão de metros quadrados na Amazônia, disse Aveiro.
A construção da usina, cuja operação plena está prevista para o fim de 2015, exigirá um investimento superior a R$ 16 bilhões. Atualmente, 9 das 44 turbinas previstas já estão em funcionamento, com capacidade para atender a uma demanda de 3 milhões de residências nos Estados de Rondônia e Acre, de acordo com o coordenador do programa de gestão sócio-patrimonial da Santo Antônio Energia, Ricardo Marques. Após a ativação de todas as turbinas será possível suprir o consumo de energia de 40 milhões de pessoas no país.
"No primeiro sobrevoo feito em setembro do ano passado, a OrbiSat conseguiu um resultado bem melhor que o esperado em termos da qualidade das imagens geradas e da quantidade de informações coletadas", afirmou Marques.
Segundo o executivo, o radar elimina dúvidas, pois permite identificar o abate individual de árvores ainda numa fase inicial. "Antes, só conseguíamos detectar o problema quando o caminhão já estava carregado com as madeiras", afirmou.
A Usina Santo Antônio fazia apenas a fiscalização do terreno por meio de levantamento de campo, antes de usar o radar. Entretanto, Marques disse que a nova tecnologia "foi a alternativa mais precisa e a que trouxe a melhor resposta e resolução para o controle da área do reservatório".
O monitoramento da área em torno do reservatório - um perímetro de 2,2 mil quilômetros e um espelho d"água de 54 mil quilômetros - é considerado importante devido à existência de uma forte pressão urbana e rural na região, que abriga um assentamento de 800 famílias em condições precárias, segundo o executivo.
No histórico de operação das barragens, disse Marques, a questão ambiental e patrimonial está repleta de problemas relacionados à ocupação irregular, invasões e uso indevido de áreas. "A partir de 2006, o governo passou a exigir uma gestão mais rigorosa dos projetos", afirmou ele.
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