quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

França amplia ofensiva aérea no Mali e rebeldes recuam


LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / BAMAKO - O Estado de S.Paulo
A aviação francesa prosseguiu ontem nos bombardeios a posições de insurgentes islâmicos no território controlado por eles no norte do Mali, abrindo caminho para o avanço do Exército malinês. Um morador de Ansongo, perto da fronteira com o Níger, disse à agência alemã DPA que os militantes deixaram a cidade, em razão dos bombardeios.
Na cidade de Timbuctu, uma das mais importantes sob controle rebelde, posições dos insurgentes também foram bombardeadas ontem.
De acordo com um morador ouvido pela DPA, um palácio construído em Timbuctu pelo ex-ditador líbio Muamar Kadafi, onde os rebeldes instalaram seu quartel-general, foi atingido. Mas eles ainda não haviam desocupado a cidade ontem. Os bombardeios já permitiram a retomada de três cidades: Konna e Douentza, no território rebelde, e Diabaly, situada ao sul da linha de demarcação do conflito. A ocupação é feita pelo Exército malinês. As tropas francesas ficam na retaguarda, em Sévaré, na linha de demarcação.
Aviões americanos C-17 começaram a participar do transporte de tropas e de cargas do sul da França para o Mali. De segunda-feira até ontem, os aviões já haviam trazido 80 militares franceses - que somam 2.250 no Mali - e grande quantidade de suprimentos, desembarcados em Bamako.
O Parlamento da Itália aprovou o envio de 15 a 24 militares italianos para ajudar no treinamento dos soldados dos países da África Ocidental que vão participar da missão. Mais de mil soldados africanos já chegaram, de um contingente que deve alcançar 3.300. O plano é treiná-los por três semanas antes de eles entrarem em ação.
A Federação Internacional de Direitos Humanos divulgou ontem um relatório no qual acusa o Exército malinês pela execução, desde o dia 10, de 33 pessoas suspeitas de serem militantes islâmicos e também tuaregues.
Em Siribala, cerca de 300 km ao norte de Bamako, o Estado ouviu no domingo relatos de moradores sobre a execução do tuaregue Abu Krim Marabou e de seu empregado. A família enterrou o corpo de Marabou em uma vala rasa no pátio de terra da casa, antes de fugir. Marryn Daa, um vizinho, mostrou fotos de Marabou e do pastor mortos. Ele contou que essas fotos foram transmitidas para seu celular por vizinhos. Daa e os outros moradores não souberam dizer se Marabou militava em algum grupo insurgente.
Uma testemunha ouvida pela Associated Press afirmou que militares malineses capturaram no dia 10 em um ponto de ônibus em Sévaré pessoas sem carteiras de identidade ou suspeitas de serem militantes islâmicos, executaram-nas e jogaram seus corpos em dois poços. Os militares malineses negam as acusações.
SNB

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