quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Escândalo na escolha do novo blindado Policial do Rio de Janeiro?


Com a chegada de grandes eventos ao Brasil a partir do próximo ano (Copa das Confederações, Cop Paulo Roberto Bastos Jra do Mundo, Olimpíadas, etc...), bem como pelo desgaste natural dos blindados policias do Rio de Janeiro, os famosos “Caveirões”, a Secretaria de Segurança Publica do Estado do Rio de Janeiro (SeSeg) decidiu abrir licitação para a aquisição de novos veículos blindados para uso policial e buscou no mercado externo o que existia de melhor, chegando a projetar dois carros com o apoio do CTEx (VEsPA 1 e 2) e avaliar, entre 2011 e 2012, quatro carros de fornecedores internacionais, sendo esses o GAZ-2330-36 “Tigr SPM-2“ russo, o Paramount “Maverick ISV” sul-africano, o Renault “Sherpa Light” francês e dois modelos diferentes do Oshkosh “SandCat TPV” de projeto israelense mas oferecido por uma empresa dos EUA.
Os citados testes foram extremante desgastante para os veículos, pois além de testes simulados onde se objetivava sua utilização ao extremo, também houve, por parte dos mais capacitados, aplicações em atividades normais dessas unidades, incluindo o enfrentamento com marginais pesadamente armados, que são as situações que eles irão passar. Alguns desses veículos mostraram-se menos adaptados para as condições do Rio de Janeiro e foram obrigados a fazer algumas modificações, como foi o caso do veículo russo, mas no final, os policiais dessas unidades tiveram a mão a noção do que é verdadeiramente possuir um blindado tático moderno, bem diferente dos carros-fortes adaptados utilizados hoje em dia.
Porém a legislação do Estado Fluminense determina que a aquisição de qualquer meio para uso do Estado seja definido por Pregão Eletrônico de MENOR PREÇO, com isso permitiu que empresas, cujos carros não foram avaliados e outras que nem tem carros, a participar da licitação.No final do ano passado, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria da Casa Civil, lançou o Edital Nº 1/2013, que definia as regras para a licitação na modalidade PREGÃO, do tipo MENOR PREÇO GLOBAL, para a aquisição de oito veículos blindados de uso policial para transporte de tropas, sendo quatro para o BOPE, dois para o CHOQUE e dois para a CORE, e que os interessados deveriam apresentar a suas propostas até o dia 09 de janeiro, depois prorrogado para o dia 21.
Devido ao prazo exíguo, algumas empresas, dentre elas a Centigon Blindados do Brasil, que recentemente vendeu dois carros para o BOPE de Brasília e que possui um excelente blindado tático, o “Alacran”, utilizado há tempos pela policia mexicana, não conseguiu providenciar os documentos necessários para a sua participação. Porem cinco empresas foram mais ágeis e apresentaram suas propostas. São elas:
_ Global Shield/ISDS (International Security & Defence Systems) de Israel, com o "Fort 1";
_ Hatehof de Israel, com "Wolf";
_ Plasan de Israel, com “Storm”;
_ Paramont da África do Sul, com o "Maverick ISV";
_ Renault da França, com “Sherpa Light”.
Dessas somente as duas últimas tiveram seus veículos testados operacionalmente no Rio, pois a GAZ desistiu de concorrer e a Oshkosh aparentemente se associou a Plasan para oferecer o “Storm” ao invés do “Sandcat”, e alguns deles ainda nem entraram em produção seriado ou atuaram  em alguma força militar ou para-pública, como é o caso do “Fort 1”.
Logo após a abertura dos envelopes com os valores ofertados, no final da manhã, o carro da Renault foi desclassificado por apresentar um preço inicial 10% acima dos demais e, logo em seguida, começou o leilão do menor preço, onde as empresas Paramount e Plasan desistiram logo no inicio. Após isso, o que se viu foi uma contenda fraticida entre duas empresas adversárias em seu país e que já disputaram concorrências mercados de segurança com extrema avidez: as israelenses ISDS e Hatehof. No final o vencedor foi o “FORT 1”.
É importante destacar que essas duas últimas empresas também participaram de um polêmico caso de aquisição de veículos semelhantes no Peru, em 2006, mas que se arrasta até hoje, sem que se tenham sido entregues os carros encomendados (e pagos!!!), em tribunais do país devido às inúmeras irregularidades encontradas no processo, incluindo suspeitas de suborno.
Outra coisa também foi a enorme falta de respeito aos integrantes do BOPE e da CORE, que gastaram parte de seu precioso tempo em avaliar veículos que julgavam que iriam empregar em situações reais de altíssimo risco. Veja que metade dos veículos avaliados não participou da concorrência exatamente devido à atitude crítica dessas tropas.Sobre o suposto vencedor, o “FORT 1”, deve-se ter bem claro que se trata de um protótipo, nunca avaliado em situações normais de stress diário, pois apesar do fabricante afirmar que esse já foi avaliado por forças israelenses, ele não é empregado por nenhuma unidade, nem em seu pais de origem. Esse carro foi apresentado ao público brasileiro na ultima edição da LAAD Security, no ano passado no Riocentro, e não foi avaliado por ter que voltar a Israel depois da feira, supostamente porque ainda não estava totalmente pronto!
Com isso tudo que foi apresentado fica uma reflexão: será que é justo expor homens tão bem capacitados, que passam o dia a arriscar a vida para manter a ordem e a autoridade do Estado, com um equipamento que sequer foi avaliado ou que tenha a garantia que poderá ser produzido com o preço que foi definido? O imbróglio do Peru, com essa mesma empresa, mostra que não! Mas ainda resta uma chance, que os nossos governantes tenham o bom senso e reprovem esse protótipo nas avaliações técnicas, pois caso isso não aconteça, eles é que deveriam subir os morros dentro desses “experimentos sobre rodas.Jornalista Roberto Caiafa
TECNODEFESA..  SNB

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