terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Entrevista com Alexei Vassiliev, diretor do Instituto da África da Academia de Ciências Russa


 

Vamos dedicar a atual emissão da “África em foco” aos eventos que se desenrolam nestes dias na parte ocidental do continente africano – na República do Mali, onde o exército francês deu início a uma operação militar.

– Por que, na sua opinião, ocorre isso?
 Porque estes países sentem o perigo de difusão do extremismo islamita e do terrorismo ou da atividade separatista dos tuaregues para os seus territórios. Não constitui segredo que nos acampamentos militares na parte norte do Mali já foram treinados os terroristas da organização nigeriana Boko Haram e de outras organizações semelhantes desta região. Pode-se afirmar que na Nigéria vivem mais tuaregues do que no Mali e embora entre os tuaregues também haja contradições, a ameaça de separatismo para este país é real.
– Qual seria o seu prognóstico do desenrolar de acontecimentos no Mali?
 Pode-se supor que se a operação for bastante longa, e a julgar por tudo, é assim que será, muitos países africanos irão recordar que a França foi outrora uma potência colonial e que nos dois últimos anos este é o terceiro fato de intromissão nos assuntos internos dos outros. A França já interveio militarmente na luta entre os dois presidentes da Costa do Marfim, foi a primeira nas operações militares contra o regime de Kadhafi, agora as tropas francesas participam de operações militares no território do Mali. Mas eu pessoalmente não nutro a esperança de que as suas funções sejam concluídas dentro de duas ou três semanas.
– Quais são os motivos políticos da intervenção da França no território da África?
 Bem, eu preferiria não utilizar a fórmula “invasão da França no território da África”, pois mesmo a CEDEAO e o Conselho de segurança da ONU não reclamaram contra as operações militares da França no Mali. A maioria dos países mantiveram-se calados ou apoiaram estas ações da França. Creio, todavia, que existem dois motivos básicos. Primeiro: impedir a transformação do Mali em base segura para o desenvolvimento e para a ação de grupos terroristas e extremistas. E segundo: considerações políticas internas do presidente da França Hollande, tido como pessoa, capaz de recorrer a compromissos e a manobras.
– Qual é a sua opinião a respeito do papel do presidente da França François Hollande neste enredo africano?
 Ele precisava demonstrar que é presidente duro, pronto a empreender ações decididas. E como sempre, especialmente no primeiro período da existência deste perigo para o país, a nação consolida-se em torno do presidente. Neste plano – ele ganhou, pelo menos no presente momento.
– Quais podem ser as consequências no caso da queda do regime de Bamaco?
 O Mali é um país com população pobre e com riquezas muito grandes. Tem-se em vista grandes reservas de ouro e de outros minérios. O Mali é um dos maiores produtores africanos do algodão, um dos exportadores de produtos pecuários, etc. É o país central da região de países francófonos e a queda do regime em Bamaco pode desestabilizar a situação na região em geral e causar um golpe tanto contra as posições da França, como, numa certa medida, contra as posições da Rússia, que está interessada na estabilidade dos países desta região e na manutenção de relações econômicas e políticas normais com eles.
A Voz da Rússia continua a acompanhar o desenrolar de acontecimentos no Mali.
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