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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Analistas: Por trás dos mísseis americanos, a tentativa de derrubar Bashar Assad

Os ataques americanos à base militar síria de Shayrat, na província de Homs, na madrugada de sexta-feira, foi interpretada por analistas políticos como uma clara tentativa de remover Bashar Assad da Presidência da República Árabe da Síria.

Sob a alegação de que Assad seria o responsável pelo lançamento de armas químicas contra a população da cidade de Khan Shaykhun, em Idlib, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o ataque contra a base aérea, argumentando que o líder sírio "precisava ser contido".
Assim, 59 mísseis Tomahawk foram lançados de dois navios posicionados em águas internacionais do mar Mediterrâneo. Segundo as autoridades sírias, apenas 23 desses mísseis atingiram os alvos, matando 10 pessoas e destruindo aviões militares, hangares e boa parte da infraestrutura.
Bashar Assad negou qualquer responsabilidade pelo uso das armas químicas e atribuiu aquele ataque a seus inimigos, que compõem os grupos de oposição a seu Governo.
A Rússia, por sua vez, defendeu o líder sírio, dizendo que ainda é muito cedo para definição de responsabilidades. Além disso, considerou inaceitável a agressão a um país soberano.
Analistas ouvidos por Sputnik Brasil disseram que a mensagem de Donald Trump foi muito clara, deixando entrever que o objetivo dos Estados Unidos é remover Bashar Assad da Presidência da República Árabe da Síria.
Diego Pautasso, professor de Relações Internacionais da Unisinos, Universidade do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, declara sobre os ataques:
Nós estamos vendo mais do mesmo desde que, logo após a Primavera Árabe, o Ocidente decidiu apoiar os rebeldes com o intuito de derrubar o Governo de Bashar Assad", diz Pautasso. "De lá para cá, todos os movimentos dos Estados Unidos e seus aliados da Europa e do Oriente Médio têm sido nesse sentido. E não é a primeira vez que eles buscam uma alegação de uso de armas químicas – isso aconteceu em 2013 e não foi provado. Depois, os Estados Unidos participaram de um movimento com a Rússia para desmobilizar o arsenal químico do Bashar Assad, e agora voltam a essa alegação que, curiosamente, foi a mesma alegação que os EUA utilizaram em 2003 para invadir o Iraque."
O Professor Diego Pautasso conclui:
Não é a primeira vez na história que os EUA usam um truque sujo, como se diz, a criação de fatos para legitimar intervenção. Dois principais exemplos históricos seriam em Cuba, em 1898, e, nos anos 1960, para ingressar na Guerra do Vietnã."
Por sua vez, o Professor João Cláudio Pitillo, pesquisador do Núcleo das Américas na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), o ataque norte-americano à Síria poderá provocar o dano colateral do aprofundamento do conflito no país:
Qual é o intuito dos Estados Unidos em atacar uma base síria neste momento em que a guerra caminha para o fim e está evidente que as forças sírias, com a ajuda das forças russas, vão vencer e expulsar os terroristas?”, pergunta Pitillo. “Qual o interesse disso? Eu acho que está nítido para a comunidade internacional, para as pessoas que estão antenadas com o conflito sírio, para os pesquisadores, para as pessoas sérias, que este ataque não teve o caráter efetivo de punir o Governo sírio. Em primeiro lugar: não há provas do uso de armas químicas por este Governo. E, em segundo lugar, este fatos não mudam, em nenhum momento, o ângulo da guerra."
João Cláudio Pitillo detalhe o efeito colateral por ele apontado:
"Ele vai levar a uma escalada militar muito maior na Síria. Porque é óbvio que a Rússia vai deslocar para lá uma quantidade maior de baterias antiaéreas; é claro que a Rússia vai passar a vigiar o céu sírio com maior intensidade; é óbvio que a Rússia não vai permitir que suas forças estejam expostas a fogo estadunidense, e muito menos o Governo sírio. Primeiro porque a Rússia aposta que a Síria está lutando uma guerra justa contra o terrorismo. A Federação Russa é solidária nesta luta contra o terrorismo. Está claro, para a comunidade internacional, que o Daesh [o autodenominado Estado Islâmico] e as outras forças que lutam contra Bashar Assad são apoiadas pelos Estados Unidos, pela França, pela Inglaterra, e que essa turma está em volta de um pool de terroristas."

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