sexta-feira, 17 de maio de 2013

Serão Rússia e EUA amigos no ciberespaço?


Os EUA não estão em condições de enfrentar sozinhos as ameaças cibernéticas. Em função disso, Moscou e Washington estão concluindo a preparação de um acordo visando a segurança no ciberespaço.

O documento poderá ser assinado ao mais alto nível já em junho, no âmbito da cúpula do G8, a realizar na Irlanda do Norte. A questão da elaboração e da introdução de regras gerais referentes à conduta na Internet, incluindo as normas viradas contra ameaças cibernéticas, foi colocada pela Rússia reiteradas vezes. A iniciativa foi posta à discussão da ONU, tendo-se, porém, deparado com a resistência dos EUA. Agora, a Casa Branca está disposta a firmar um acordo bilateral com a Rússia, encarada, até há pouco tempo, como uma segunda fonte de ataques cibernéticos. Segundo revelou à Voz da Rússia o dirigente da companhia DialogNauka, Andrei Masalovich, os EUA têm vindo a assumir um posicionamento diametralmente oposto para se defender:
“A administração norte-americana se enganava muito ao considerar que a Rússia não estava pronta a dar passos significativos no ciberespaço. Todavia, desde o verão passado, a situação se alterou e, por iniciativa de Dmitri Rogozin e Serguei Shoigu, o está sendo criado na Rússia um cibercomando, o que quer dizer que a Rússia se tornará um jogador autônomo a merecer respeito. Por isso, é melhor chegar a acordo do que defrontar-se com surpresas.”
A Rússia poderá tirar proveito deste novo acordo. Antes de mais, tal poderá consolidar as posições políticas da Rússia na arena mundial. Além disso, o acordo nessa área poderá estreitar a cooperação russo-norte-americana no domínio de combate ao terrorismo, afirma Andrei Masalovich.
“Hoje só se pode falar de vantagens políticas. A Rússia já é encarada como um jogador, pelo que tais convênios, incluindo os acordos-quadro, serão aperfeiçoados. Importa o fato de sermos respeitados, sendo útil qualquer interação ou colaboração nessa esfera. Em segundo lugar, através dos acordos como esse se vai formando um sistema de ações coordenadas. Existem inimigos comuns, a começar pelo terrorismo, dispostos a desestabilizar a situação em vários países. Os serviços secretos não estão prontos para fazer frente a toda e qualquer ameaça terrorista. Por isso, quaisquer regras novas serão úteis."
Mas tal enfoque não é partilhado por todos os peritos na matéria. Segundo disse Alexander Panov, da companhia Hosting Community, os benefícios que a Rússia pode vir a obter nos marcos desse acordo são vagos, sem ter ainda qualquer projeção política.
“Creio que tais acordos estão fora da política e serão cumpridos de uma ou outra maneira. É difícil prever que vantagens terá a Rússia. No entanto, as tecnologias de combate ao cibercrime nos EUA estão mais desenvolvidas, podendo, através do acordo, chegar ao nosso país."
Em geral, seria prematuro fazer previsões nessa área importante, frisam peritos. A assinatura do acordo por Washington não garante, de forma alguma, que este seja observado na íntegra. A experiência dos últimos anos demonstra que os EUA, nos quadros de qualquer interação, costumam respeitar aquelas cláusulas que lhes são convenientes. Quando não o são, Washington ignora todas as normas, inclusive resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
SNB

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