domingo, 24 de fevereiro de 2013

Empresários do Brasil avaliam riscos e oportunidades na Nigéria

Por Fernando Exman | Valo....ABUJA, NIGÉRIA - 
Empresários e autoridades brasileiras buscaram neste sábado criar oportunidades de negócios na Nigéria, em um seminário que reuniu cerca de 500 pessoas em Abuja. A Nigéria é o maior parceiro comercial do Brasil na África, e o governo nigeriano demonstrou às autoridades brasileiras o interesse de atrair empresas nacionais para investir no país.
A Nigéria quer, por exemplo, realizar parcerias para executar obras de infraestrutura, projetos de processamento de alimentos e segurança energética, construindo usinas de geração e linhas de transmissão de eletricidade. Abuja, por exemplo, sofre com constantes apagões diariamente. No entanto, a Nigéria não precisa de dinheiro para tirar esses projetos do papel, pois é um grande produtor de petróleo.
“É um caso diferente do que a gente vê na África. Aqui, o problema não é de capital”, explicou Rubens Gama, diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, que coordenou o seminário.
A Eletrobras avalia a possibilidade de participar da estruturação do sistema elétrico nigeriano e de projetos de transmissão de energia, disseram autoridades do governo brasileiro. Já construtoras brasileiras prospectam negócios em infraestrutura. A Andrade Gutierrez, por exemplo, é a primeira empreiteira brasileira a preparar a abertura de um escritório no país.
“O potencial é enorme”, afirmou Amauri Pinha, diretor comercial da Andrade Gutierrez.
Segundo o executivo, o governo nigeriano tem planos de elevar a capacidade de geração de energia do país em 40 mil MW até 2020. Atualmente, disse ele, a Nigéria tem apenas 5 mil MW de capacidade de geração instalada e gera de fato somente 3,2 mil MW. “É um plano muito ambicioso.”
Em reunião com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, autoridades nigerianas disseram ainda que pretendem construir três centros industriais próximos a aeroportos do país. Estão tentando deixar de produzir apenas matérias-primas e gostariam da ajuda do Brasil para melhorar a infraestrutura e capacidade industrial dessas localidades. Pimentel prometeu realizar uma missão empresarial integrada também por investidores até o fim do ano.
AVES - Outro setor interessado em entrar no mercado nigeriano é o de exportação de aves, hoje fechado aos fornecedores estrangeiros. Segundo o gerente de relações com o mercado da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Adriano Nogueira Zerbini, o consumo anual de frango na Nigéria é de 2 quilos, enquanto no Brasil é de 45 quilos ao ano. “O potencial é muito grande.”
Um dos riscos de atuação no mercado nigeriano, entretanto, é o que autoridades e empresários chamam de “práticas heterodoxas”. No país, assim como em várias nações do continente, a corrupção é disseminada.
Uma alternativa sugerida por autoridades brasileiras é que os empresários fechem parcerias com companhias locais. “O empresário pode investir na Nigéria por meio de uma joint venture por causa de algumas dificuldades do mercado nigeriano”, afirmou o presidente da Associação Nigeriana de Câmaras de Comércio, Herbert Ademola Ajayi.
VALOR.... SNB

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