segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Contratorpedeiros são espinha dorsal de uma marinha moderna

Ilya Kramnik..
RIA Novosti

A Rússia continua o desenvolvimento de um contratorpedeiro de nova geração. Hoje, os navios dessa classe se tornaram na base do poderio militar de muitas marinhas que, pelas suas capacidades, deveriam se chamar de cruzadores. A construção em série desses navios é uma condição indispensável para a criação de uma marinha oceânica capaz de desempenhar missões de alto mar.

Quem será o herdeiro dos Sovremenny?
Os últimos contratorpedeiros criados pela URSS foram os navios do projeto 956, conhecidos como contratorpedeirosSovremenny(Contemporâneo) pelo nome do primeiro navio da série (na Rússia, os contratorpedeiros são batizados tradicionalmente com adjetivos). O primeiro navio, o Sovremenny, teve o assentamento da quilha em março de 1976 e entrou ao serviço em 1980. O 16º e último contratorpedeiro dessa classe, construído para a Marinha de Guerra Russa, o Besstrashny (Sem medo), que hoje tem o nome de Admiral Ushakov, entrou ao serviço em 1993. Outros quatro navios do projeto 956 foram terminados nos anos 1999-2006 por encomenda da Marinha de Guerra Chinesa.
Os navios dessa classe são apreciados pelas suas boas características de manobra e capacidade de ataque, porém, alguns aspetos negativos do projeto resultaram num abate bastante rápido da maior parte dos contratorpedeiros dessa série nos tempos pós-soviéticos. O "calcanhar de Aquiles" era a unidade propulsora de turbinas a vapor, moralmente obsoleta já na altura da construção desses navios, menos econômica e fiável que a unidade propulsora de turbinas a gás dos grandes navios antissubmarino do projeto 1155Udaloy (Audaz) e que estavam a ser construídos na mesma altura. Além disso, também as capacidades de defesa antissubmarino e antiaérea do contratorpedeiro não eram consideradas as melhores. Assim, neste momento há apenas três Sovremenny no ativo dos 16 que foram construídos. Outros dois se encontram em reparação e quatro estão desativados e à espera de um destino. Em comparação, dos doze navios do projeto 1155 oito continuam no serviço ativo.
Os defeitos dos contratorpedeiros do projeto 956 já eram evidentes na URSS, o que levou ao desenvolvimento e início da construção do navio do projeto 1155.1 (denominação OTAN - Udaloy II), que deveria combinar uma unidade propulsora fiável e as capacidades de luta antissubmarino dos contratorpedeiros do projeto Udaloy com as capacidades de ataque dos Sovremenny. Infelizmente, só foi construído um desses navios, o Admiral Chabanenko, considerado um dos melhores navios da Marinha de Guerra Russa. Com o assentamento da quilha em fevereiro de 1989 e lançado à água em dezembro de 1992, ele entrou ao serviço apenas em 1999. As circunstâncias da realidade pós-soviética não favoreceram uma rápida finalização e os testes dos navios de guerra.
De resto, o Admiral Chabanenko também não era perfeito: até à sua entrada no ativo, os EUA já tinham incorporado quase três dezenas de contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, que determinaram de fato a tipificação dos navios desse tipo para os dias de hoje. O principal trunfo dos Arleigh Burke (e dos cruzadores de maior porteTiconderoga) é o sistema de comando e controle (SCC) de armas multifuncionais Aegis (ACS), que em combinação com o sistema de lançamento vertical Mk 41 tornou esses navios em combatentes universais. O sistema Mk 41 pode utilizar praticamente toda a panóplia de mísseis anti-superfície ou antiaéreos, assim como os foguetes-torpedo antissubmarino usados pela Marinha de Guerra dos EUA. OAdmiral Chabanenko, tal como os seus antecessores do projeto 1155, também tinha um sistema de lançamento vertical (VLS), mas ele só podia ser usado para o lançamento de mísseis antiaéreos de médio alcance 9М330do sistema Kinjal. Além disso, a marinha russa não dispunha de um sistema de comando e controle com as capacidades do Aegis.
Exigências básicas
Dessa forma, foram determinadas as exigências de base para o "contratorpedeiro do futuro": a existência de um SCC que garanta o seguimento, a aquisição e abate de alvos de superfície, submarinos, aéreos e terrestres, assim como o comando tanto de um navio isolado como de uma esquadrilha inteira, incluindo aeronaves de diferentes tipos, e sistemas de lançamento verticais com um vasto de leque de munições disponíveis. As exigências específicas da Marinha de Guerra Russa determinaram a necessidade de criação de dois tipos de VLS: um sistema de tiro naval universal (USSC) e um VLS de peso e dimensões mais pequenas para o sistema de mísseis antiaéreosRedut. Ambos os sistemas podem usar diversos tipos de mísseis. O USSC lança mísseis anti-superfície Onix, assim como toda a gama de mísseis do complexo Kalibr, desde mísseis de cruzeiro estratégicos até aos foguetes-torpedos antissubmarino. Um módulo do USSC leva 8 mísseis. Um módulo do sistema de lançamento Redutpode ser carregado com quatro mísseis antiaéreos de médio alcance (até 150 km) 9М96Еe com 16 de curto alcance (até 150 km) 9М100. Os mísseis de curto alcance são colocados 4 em cada célula. Assim, por exemplo, a corveta russa Soobrazitelny (Inventivo), que possui três módulos Redut de 4 células cada, pode transportar 12 mísseis de médio alcance ou 48 mísseis de curto alcance, ou as diferentes combinações de ambos.
Em simultâneo com o armamento, estava a ser desenvolvido o novo sistema de comando (hoje, a marinha russa está a adotar progressivamente o Sigma), um SCC universal, único para todos os navios de combate de superfície de nova geração e que apenas diferem ligeiramente conforme o tipo e o armamento de cada navio específico.
O Sigma foi testado, na sua primeira versão, na fragataNeustrashimy(Intrépido), construída nos anos 90. A sua versão modernizada equipou as corvetas da classe Stereguschy(O que guarda), tanto as que já estão no ativo, como as que se encontram hoje em construção para a Marinha de Guerra Russa. As fragatas de nova geração também estão a receber o seu Sigma que será também, na sua versão modernizada, o "cérebro eletrônico" dos novos contratorpedeiros.
As limitações financeiras das capacidades de combate
A questão que hoje tem de ser resolvida é a qual será a relação entre as capacidades do contratorpedeiro e o seu custo. Ainda não existem informações detalhadas sobre o projeto. Segundo o que tudo indica, se trata de três versões possíveis. A primeira é um navio deslocando 9000 toneladas com uma unidade propulsora de turbina a gás, artilharia de 130 mm, presumivelmente equipado com quatro módulos USSC (até 32 mísseis no total). A defesa antiaérea do navio será assegurada por 16 módulos antiaéreos Redut (até 4 mísseis de médio alcance ou 16 mísseis de curto alcance em cada módulo, i.e. de 64 a 144 mísseis antiaéreos no total em diversas combinações).
Mais potente, mas também mais cara, será a versão de um contratorpedeiro de 12000 toneladas que, presumivelmente, poderá ser equipado com artilharia de 152 mm e com um “arsenal de mísseis” substancialmente superior. A terceira versão do contratorpedeiro, com dimensões e capacidades de combate semelhantes ao da segunda versão, teria uma propulsão nuclear. Não é de excluir que, com esse deslocamento, ela seja mais econômica que as turbinas a gás pelo seu tempo de vida útil.
É difícil prever qual será a versão adotada. O custo, mais uma vez estimado, de um navio desses de série será de cerca de 40-60 bilhões de rublos e a Marinha de Guerra Russa necessita, pelo menos, de 12-16 unidades semelhantes, capazes, apoiadas por fragatas e corvetas, de constituírem a base do poderio naval da Rússia no Norte e no Extremo Oriente. Ao receber e integrar uma quantidade suficiente de navios porta-mísseis, das corvetas aos contratorpedeiros, a marinha, além do mais, estará apta a formar esquadras permanentes, cujo “núcleo” poderão ser cruzadores porta-mísseis nucleares modernizados, navios de desembarque universais e, em perspetiva, porta-aviões.
O projeto de um contratorpedeiro prospetivo para a Marinha de Guerra Russa deverá ser aprovado em 2014 e, considerando o tempo necessário para aperfeiçoar os elementos principais do equipamento e do armamento, os trabalhos de construção do casco do primeiro navio podem começar já em 2015-2016. Já falta pouco tempo de espera.
VOZ DA RUSSIA ..SNB

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