terça-feira, 6 de novembro de 2012

Compra de caças Sukói na pauta secreta Dilma-Putin. :

Presidente vai à Rússia no dia 14 de dezembro; encontro com presidente Vladimir Putin inclui tema que não está na pauta oficial: a compra pelo Brasil dos caças-bombadeiro Sukói; informação chegou à França  Vazou entre a diplomacia internacional um ítem da agenda secreta que a presidente Dilma Rosseff terá com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, em Moscou, para onde ela viaja no dia 14 de dezembro: a reabertura do diálogo formal para a compra dos poderosos caça Sukói, um dos aviões militares classificados no Projeto FX, de modernização da Força Aérea Brasileira. Aberta durante a gestão do presidente Fernando Henrique, o FX é uma concorrência de US$ 1 bilhão que se arrasta dentro do governo brasileiro por mais de dez anos sem qualquer definição. O presidente Lula, em 2009, chegou a anunciar e comemorar a compra dos jatos franceses Rafale, o que provocou surpresa até mesmo nos executivos da fabricante Dassault. O negócio, efetivamente, não foi fechado.
Após o encontro com Putin, Dilma irá a Paris para um tète a tete como presidente François Hollande. Os Rafale farão parte das conversas.
Na mesma medida em que há preocupação do lado francês com o que seria uma espetacular reviravolta na decisão brasileira de compra estratégica bilionária, um otimismo discreto já toma conta do ambiente no campo russo. O presidente Putin trabalha com a informação de que Dilma está disposta a comprar os Sukói, convencida pelos argumentos dos técnicos do Ministério da Aeronáutica.
Os pilotos brasileiros que testaram, nos países fabricantes, o Sukói e o Rafale, além dos caças Grippen, suecos, também avaliados no início do processo de concorrência, jamais esconderam suas preferências pelo bombardeiro russo – um avião de grande porte para a categoria caça, com autonomia de voo em condições de combate para uma distância equivalente à base de Anápolis e a capital da Venezuela. O Sukói tem condições, assim, de alcance de sobra em relação às fronteiras do País com todos os seus vizinhos.
A França, por seus meios, conseguiu a informação de o Sukói seria o tema da agenda secreta entre Dilma e Putin. O fato de o assunto ter sido incluído – ou até mesmo provocado a existência da pauta sigilosa – trouxe, às pressas, o ex-presidente Nicolas Sarkozi como surpresa do presidente Hollande, para obter a antecipação da posição de Dilma, por ela própria, e, qualquer quer seja a resposta, pedir a compra dos Rafale. Ninguém quer perder esse negócio estratégico de US$ 1 bilhão.
Ao fim da reunião, os dois ministros informaram que o encontro serviu para reforçar a importância da relação estratégica firmada durante o mandato dos ex-presidentes Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva, e também para revisar a execução dos contratos de compra de cinco submarinos Scorpène e de 50 helicópteros Eurocopter, avaliados em mais de 8,5 milhões.

Le Drian destacou as "relações estreitas" entre os dois países ao salientar que sua visita ao Brasil ocorre antes da "visita oficial que a presidente Dilma fará a Paris no início de dezembro" e após o encontro entre Dilma e o presidente francês, François Hollande, ocorrido em junho.

"Temos uma relação importante com a França, uma relação que se estende por várias áreas e que é particularmente forte na área de defesa (...), e essa relação se intensificou nos últimos anos com a compra milionária de equipamentos franceses", recordou Amorim.

Os dois ministros afirmaram ter conversado sem restrições sobre a concorrência que o Brasil promove para a compra dos 36 caças pelo valor aproximado de US$ 5 bilhões, embora Amorim tenha insistido em dizer que o Brasil ainda não tomou uma decisão.

Os finalistas são a francesa Dassault, com o avião Rafale, a norte-americana Boeing, com o F/A-18 Super Hornet, e a sueca Saab, com o Gripen NG. "Não há assuntos que sejam tabu. Mas o nosso entendimento é que essa é uma conversa em que os dados estão sobre a mesa, que envolve uma decisão pelo lado brasileiro, e que em algum momento essa decisão terá de ser tomada", disse Amorim. O governo brasileiro adiou a decisão para 2013, informou recentemente uma fonte governamental.

Num primeiro momento, o favorito era o avião francês, que chegou a ser proclamado vencedor pelo ex-presidente Lula. Mas a decisão acabou sendo deixada para o governo Dilma, e foi postergada por motivos orçamentários.

O ministro francês também apontou a necessidade de reforçar a cooperação bilateral "na luta contra os narcotraficantes e as rotas do narcotráfico", em especial na fronteira do Brasil com a Guiana e por todo o Caribe.

Visita. Le Drian, que faz sua primeira visita ao Brasil na condição de ministro da Defesa francês, teve no domingo uma reunião a portas fechadas com industriais do setor de defesa, no Rio de Janeiro.

Depois de se reunir com Amorim em Brasília, o ministro francês pretendia ir a Itaguaí, no Rio, onde estão sendo construídos a base naval e o estaleiro em que será montado o primeiro submarino Scorpène francês, dos cinco comprados pelo Brasil num contrato assinado em 2008.

Os outros quatro submarinos serão construídos no Brasil. O último será um submarino com propulsão nuclear, que o Brasil adaptará com tecnologia própria e que o governo brasileiro pretende ter pronto em 2021.

O Brasil, que se impôs como meta relançar uma indústria bélica forte, estabelece em todos os contratos do setor as exigências da transferência de tecnologia e da fabricação nacional dos aparelhos, inclusive com vistas à exportação. E o contrato que desperta o maior interesse, tanto da França, como dos Estados Unidos, é o dos caças.
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