sexta-feira, 17 de maio de 2013

Os Riscos Para Lançamento do CBERS em 2013


A detecção de falhas em alguns conversores de energia do satélite CBERS-3 durante sua campanha de integração na China, levou à suspensão das atividades de montagem e teste do satélite no início do ano.

Desde o mês de março, o INPE vem realizando testes térmicos com os equipamentos e componentes sobressalentes do lote de conversores DC/DC que apresentou problemas.

Os resultados obtidos, entretanto, não foram nada animadores. Enquanto as normas técnicas aplicáveis exigem que nenhum componente de um determinado lote deixe de funcionar quando submetido a testes ambientais, vários componentes (incluindo um equipamento) não resistiram e falharam.

Apesar destes resultados, setores do governo (incluindo a AEB e o próprio MCTI) continuaram pressionando nos bastidores para que o lançamento do satélite não fosse mais adiado.

No início de abril, uma delegação brasileira, composta por representantes do INPE e da AEB, esteve na China para apresentar os resultados dos testes realizados no Brasil, bem como discutir com os parceiros chineses como proceder diante desta situação.

Na ocasião, duas possibilidades foram consideradas: 1ª) adiar por tempo indeterminado (no mínimo dois anos) o lançamento do CBERS-3, até que todos os componentes que vêm apresentando problemas fossem substituídos por outros fornecidos por outro fabricante, ou 2ª) implementar apenas as correções estritamente necessárias nos equipamentos considerados “vitais” para a missão do satélite, de forma a viabilizar o lançamento do mesmo até o final de 2013.

Ao final, acabou-se optando pela segunda alternativa, mas, na verdade, ambas apresentavam seus riscos.

Caso se optasse por um adiamento muito longo do lançamento, de forma a viabilizar a substituição completa dos componentes que vêm apresentando falhas, poderia haver à necessidade de substituição ou retrabalho de outros equipamentos do satélite, que teriam suas vidas-úteis atingidas, tornando o prejuízo ainda maior.

Por outro lado, a opção de se substituir ou reparar apenas os equipamentos “vitais” do satélite, além de não reduzir significativamente os riscos de falha, poderá levar o satélite a cumprir apenas “parte” de sua missão. Ou seja, a opção parece ter se baseado na teoria do “mal menor”.

Sabe-se que a AEB já assinou contratos complementares com as empresas que fornecem equipamentos para o CBERS para que implementem o retrabalho e testes necessários. Também se sabe que o acordo firmado entre o Brasil e a China para se lançar o CBERS-3 este ano pressupõe uma total revisão do projeto do satélite CBERS-4, de forma a não se transferir também para este satélite os riscos detectados no CBERS-3.

Fato é que até o momento o futuro da parceria entre Brasil e China na área espacial, que já dura mais de duas décadas, continua incerta e dependerá fundamentalmente do sucesso, ainda que parcial, da missão do CBERS-3.

Caberá ao INPE, por sua vez, fazer uma profunda avaliação deste programa, de forma a evitar que problemas como estes voltem a se repetir.
SNB

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